NOTA DE FALECIMENTO

Por Virgílio de Mattos

No, no, no!

Comunicamos aos nossos leitores, com profundo pesar, a morte de nossa colega de álcool e rock n’roll Amy Winehouse, ocorrida nessa manhã de sábado na cidade de Londres.

Bonita, gostosa, talentosa e triste.

Talvez triste demais para tanta tristeza, Amy deixará saudades.

Vai na paz, como dizem as presas.

Amy Winehouse

Amy Winehouse

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Fotos de Domingo 16

Virgílio de Mattos

é preciso explicar

(ONDE ESTÁ MINHA DIGNIDADE SE EU ME CALAR)

 

Carlos Magalhães

cerca elétrica

Atrás da pseudo segurança de uma cerca elétrica é que não vai estar.

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Fotos de Domingo – adiamento

Não teremos hoje a seção “Fotos de Domingo”. O blogueiro encontra-se impossibilitado de selecionar as fotos.

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SERVIÇO DE UTILIDADE PÚBLICA:

Por Virgílio de Mattos

Foi o Gildo.

jesus

Confirmado, enfim, que foi o Gildo o responsável pela tintura do cabelo de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

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Fotos de Domingo 15

 

Virgílio de Mattos

NO TEMPO EM QUE A LUTA DE CLASSES VOAVA LENTA
NÓS JÁ ÉRAMOS APONTADOS COMO VELOZES E MODERNOS.
MANDAVA-SE FAZER AUTOCRÍTICA POR ISSO!

Comitê Central

Todo o comitê central de minha organização. Voávamos à esquerda, sempre sob condições as mais adversas. Neste instantâneo vemos o Carlos e o Zé, obviamente codinomes, rumo sudoeste.

 

Carlos Magalhães

ENQUANTO ISSO, DO OUTRO LADO DO TEMPO E DO ESPECTRO POLÍTICO, NOTÍCIAS BOAS COMEÇAM A APARECER.

Cavalo

Tem gente que já não se segura mais em cima do cavalo magro do novo velho coronelismo.

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Nota de Falecimento

Para alegria do seu suplente, faleceu Itamar Augusto Cautieiro Franco, Senador da República.

Revertere ad locum tuum

Revertere ad locum tuum

Foi “senador profissional”.

Esteve presidente da república, em minúsculas mesmo, como vários; governador de estado e prefeito de Juiz de Fora, terra de Henrique Leal, do poeta Murilo Mendes e do Rio Paraibuna. Se não estou certo do poeta, do Rio e do jornalista (com diploma) é coisa certa.

Gastei o poema do Benedetti, o “Obituário com Hurras” com outro morto ilustre, faz pouco tempo. Mas não o usaria em relação a Itamar Franco.

Sabem o porquê?

Foi Itamar quem proporcionou uma das últimas alegrias de José Roberto Gonçalves de Rezende, heróico guerrilheiro, ao empossar-lhe, enfim, Ouvidor de Polícia do Estado de Minas Gerais, o que a tucanalha não queria que acontecesse de jeito nenhum.

Outra coisa que não dá pra esquecer, mesmo entre os sem memória e os sem vergonha, foi a ida de Itamar, um dos poucos políticos a visitar os presos, na Ala dos Presos Políticos do implodido presídio da Frei Caneca. Há uma foto dele com o José Roberto na história desse momento.

No terreno do faniquito, há várias passagens de Itamar.
No da alegoria, ele pousar, sorridente, resoluto, em pleno carnaval carioca com uma ‘modelo-atriz’ com a Chechênia à mostra. Uma beleza.

Vida curta ao seu suplente!

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Experimenta estudar pra ver o que é que te acontece!

A mensagem transcrita abaixo circula (com variações) há algum tempo por email e nos últimos dias tem sido replicada insistentemente no Facebook [Já falei do fenômeno da replicação aqui]:

Vai transar? O governo dá camisinha. Já transou? O governo dá a pílula do dia seguinte. Teve filho? O governo dá o Bolsa Família. RESOLVEU VIRAR BANDIDO E FOI PRESO? O GOVERNO DÁ O AUXÍLIO RECLUSÃO. Todo presidiário com filhos tem direito a uma bolsa de R$862,11 “por filho”. Agora experimenta estudar e andar na linha pra ver o que é que te acontece! Se vc é brasileiro e tem vergonha do que acontece, passe adiante

Não deixa de ser um talento a capacidade de expressar tanta genialidade em tão poucas linhas. O que diz o texto? Não é fácil acompanhar um raciocínio genial. Vamos tentar. Aperte o cinto! Ligue o cérebro! Se for preciso dê uma cabeçada na parede para pegar no tranco.

“Vai transar? O governo dá camisinha.” Alguém vai fazer algo que não deveria. Ainda assim o governo incentiva. “Já transou? O governo dá a pílula do dia seguinte.” Já fez a merda? O governo colabora mais um pouco dando um contraceptivo. Mas o governo não tinha dado camisinha? Ahh… Mas o infeliz não deve ter usado. Usou pra fazer balão, só pode… “Teve filho? O governo dá o Bolsa Família.” Isto é: apesar de o governo ter dado camisinha e  remédio (o que é errado, porque o certo seria proibir essa gente de existir), aconteceu o desastre, nasceu mais uma criança. E o governo ainda vai ajudar a criatura a sobreviver dando aquela bolsa que fabrica vagabundos. Desse jeito esses vagabundos vão transar mais e vão se multiplicar mais ainda! É o começo do fim!tronco

Chega? Não. Ainda tem mais uma pérola em caixa alta: “RESOLVEU VIRAR BANDIDO E FOI PRESO? O GOVERNO DÁ O AUXÍLIO RECLUSÃO.” Pois então, o governo que não extermina essa gente ainda premia os piores. Aqueles que além de serem pobres, resolveram “virar bandido”. E ainda dá o benefício POR FILHO! Transam. Não usam camisinha. Jogam a pílula do dia seguinte no telhado. Resultado? Baby boom de pobre! Já reparou que tem preso ficando rico no Brasil!? É o fim do fim!

[Para SABER o que é o Auxílio Reclusão clique aqui e aqui]

A mensagem não fala em pobres? Não precisa. O que dá sentido ao texto é a referência implícita aos pobres, aos marginalizados. Trata-se de alguém que se julga superior falando grosso com aqueles que estariam por baixo (com quem está por cima são subservientes). Falando grosso com aqueles que não teriam nem sequer o direito de existir.

O preconceito, o racismo, o higienismo e a eugenia à brasileira são assim mesmo. Fingidos de justa indignação moral. No final das contas não passa do barulho do ranger de dentes de quem está com medo de perder seus espaços de privilégio e exclusividade.

“Agora experimenta estudar e andar na linha pra ver o que é que te acontece!” Quanto a andar na linha, não sei. Quanto ao estudo, no começo pode doer um pouco. Mas trás a vantagem de impedir que se faça papel de bobo replicando mensagens idiotas nas redes sociais.

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Da séria série: aproveitando que ando plácido

 

Marighella

Dentro do meu coração.

 

 

Como um cara como ele faz falta

nesses dias frios desses tempos sombrios.

 

 

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COSTUME SALUTAR!

 

Virgílio de Mattos[1]

Fico pensando em como nossos vizinhos do verdadeiro sul profundo, o cone sul de nuestra América, resolveram – a Argentina é o exemplo “campeão” – e ainda resolvem – o Uruguay atravessa este processo – a questão da punição dos responsáveis pelas tragédias das últimas ditaduras que tivemos a infelicidade de enfrentar, cada um à sua maneira.

O Brasil serve para exemplo de como não se fazer.

Na Argentina que tem um povo combativo e que não se rendeu nem aos ingleses – o seu povo, entenda-se -, acredito tenha surgido a ideia dos “escraches”, que além de trazer luz à questão, também produzia o efeito direto da repreensão; e tenhamos em mente que o Judiciário argentino, ao contrário do nosso Supremo, por exemplo, enfrentou a questão de forma aberta e há ditadores cumprindo pena privativa de liberdade, perpétua.

escrachesO escrache se transforma em instrumento de luta, que faz com que os escrachados sejam conhecidos nos locais onde vivem, muitos tiveram de se mudar, declaram integrantes da H.I.J.O.S., organização de familiares de detenidos desaparecidos, quesito no qual, outra vez, a Argentina é campeã.

O “modo de fazer” é relativamente simples, ensinam os representantes da HIJOS é do tipo da coisa que você pode fazer em casa: “primeiro se buscam os dados da pessoa que se irá escrachar, se faz uma espécie de trabalho de inteligência, se averigua onde mora, quais suas atividades, em que horário sai, um trabalho de inteligência, e quando já se sabe tudo isso, então se procede à organização pesquisando quais os métodos para denunciá-lo em frente à casa da pessoa, onde ela mora.”

No seu histórico início, os escraches dos H.I.J.O.S. limitava-se a colar lambe-lambes com a cara ou mesmo com os dados do genocida, a partir de 2005 eles passam a contar também com um lado “artístico”, digamos assim.

O objetivo era o de inquietar, já que não podiam ser julgados e condenados naquele momento. Os próprios H.I.J.O.S. explicam a necessidade da “prisão social”, quer dizer: não deixar os torturadores impunes, não os deixar viver tranquilos, trabalhar a questão com uma mesa aberto para que os vizinhos do bairro pudessem participar.

A “mesa” proporciona uma abertura maior à comunidade e a organização dos H.I.J.O.S. é apenas um dos participantes.

É a resposta da sociedade organizada aplicável a qualquer tipo de questão e não apenas aos torturadores do passado.

Você achou interessante? Pois eu também. Não deixe de fazer contato com os H.I.J.O.S.


[1] – Graduado, especialista em ciências penais e mestre em direito pela UFMG. Doutor em Direito pela Università Degli Studi di Lecce (IT). Do Grupo de Amigos e Familiares de Pessoas em Privação de Liberdade. Do Fórum Mineiro de Saúde Mental. Autor de Crime e Psiquiatria – Preliminares para a Desconstrução das Medidas de Segurança, A visibilidade do Invisível e De uniforme diferente – o livro das agentes, dentre outros. Advogado criminalista. virgilio@portugalemattos.com.br

 

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ESCRACHE NO URUGUAY

NOTÍCIAS DO URUGUAY III

Virgílio de Mattos[1]

Embora a questão da verdade e da justiça, no que diz respeito aos tempos da ditadura última, ande mais avançada no Uruguay do que aqui, na análise que faço, temos preocupantes pontos de contato com o mal resolvido.

A lei da caducidade de lá me parece menos mal, ainda que esteja produzindo o efeito igual ao que temos aqui no Brasil: os torturadores, os seqüestradores, os estupradores, os homicidas de estado que perpetraram todos esses crimes como crimes de lesa-humanidade, imprescritíveis portanto, continuam soltos, gastando as aposentadorias pagas pelos familiares de mortos e desaparecidos, fora o dinheiro que acumularam nos saques, nas “paradinhas” com seus amigos empresários e desonestos que tais.

Em maio último, por apertadíssima margem, a verdade e a justiça; ou melhor: a luta pela verdade e justiça no Uruguay perdeu outro round, desses em que o lutador chega a cair, acho – e quem acha não sabe nada – que se denomina a isso, na técnica do Box, de knock-down.

escrache popular

Por essa homenagem este genocida não esperava!

Mas a luta de classes não é um jogo de Box. Não é um passo de baile. Não é um drible curto ou um passe longo. Só valeriam então os exemplos próprios da luta de classes?

Só se você estiver muito amargo aos domingos. Espécie de ressaca – mesmo que você não beba – de um avanço do cerco e aniquilamento do modelo neoliberal, que estertora por todo o lado, mas ainda incomoda a muita gente. Inclusive a mim.

Estou deixando de lado os que dormirão hoje nas ruas, com fome e frio, os que morrerão de sarampo, desnutrição, over doses de descuido do Estado; isso onde não bombardeiam para fazer ruir também o Estado.

Restrinjo-me a analisar apenas este exemplo do escrache popular, que me enche de alegria, ânimo e vontade de criar “dois, três, milhares de escraches”, para dizer parafraseando outro argentino muito querido.

Não sei o que aconteceu com o escrache popular feito, por merecimento, a Enrique Bonelli, militar que agiu no plano condor, das ditaduras do cone sul, pilotando aviões militares com presos que terminaram desaparecidos ou foram lançados ao mar (os detenidos desaparecidos, para que não haja nenhuma dúvida).

detenidos desaparecidos

Detenidos desaparecidos, as placas descansando nas praças

Bonelli foi chefe da Força Aérea Uruguaya até bem pouco tempo. É o equivalente a Tenente-brigadeiro na Aeronáutica do Brasil.

Hoje está solto, impune, diz o cartaz do escrache.

Como não há justiça há escrache popular.

O cartaz convocava para a concentração na Faculdade de Arquitetura, às 18h, no dia 26 de maio. De lá marchariam para a Rua Javier de Viana, n. 978, 3º andar, apartamento 7 para fazer o escrache.

Independentemente do que lhe possa ter acontecido no escrache popular para 26 de maio – não sei de que ano – convocado, foi um grande instrumento de luta.

Com essa “homenagem” o perigoso Bonelli não contava.


[1] – Graduado, especialista em ciências penais e mestre em direito pela UFMG. Doutor em Direito pela Università Degli Studi di Lecce (IT). Do Grupo de Amigos e Familiares de Pessoas em Privação de Liberdade. Do Fórum Mineiro de Saúde Mental. Autor de Crime e Psiquiatria – Preliminares para a Desconstrução das Medidas de Segurança, A visibilidade do Invisível e De uniforme diferente – o livro das agentes, dentre outros. Advogado criminalista. virgilio@portugalemattos.com.br

 

 

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